Planalto intervém para evitar apoio do PP a Ciro Gomes

Planalto intervém para evitar apoio do PP a Ciro Gomes

- em Geral
50

Planalto intervém para evitar apoio do PP a Ciro Gomes
O governo de Michel Temer ameaça tirar cargos do partido se a legenda decidir apoiar o pré-candidato do PDT à Presidência

11:10 · 12.07.2018 / atualizado às 11:23 por Estadão Conteúdo
Planalto intervém para evitar apoio do PP a Ciro

Em conversas reservadas, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, avisou que trabalharia para que os “infiéis” perdessem os cargos ( Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil )
O Palácio do Planalto ameaça tirar cargos do PP no governo se o partido decidir apoiar o pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes. Terceira bancada da Câmara, com 49 deputados, o PP é o maior partido do Centrão e controla os ministérios da Saúde, Cidades e Agricultura – com orçamentos que, juntos, somam R$ 153,5 bilhões -, além de ter o comando da Caixa. A pressão do Planalto e divergências no bloco – também formado por DEM, Solidariedade e PRB – mantêm indefinida a posição do Centrão na disputa.

Em reunião realizada nesta quarta-feira (11) na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os partidos que compõem o grupo não chegaram a um acordo e escancararam a divisão interna. Além das quatro siglas, participaram do almoço na casa de Maia políticos do PSC, do PHS e o ex-deputado Valdemar Costa Neto, chefe do PR.

Antes do encontro, o presidente Michel Temer fez chegar ao PP o seguinte recado: “Vocês podem apoiar quem quiserem, menos Ciro Gomes”. Em conversas reservadas, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, avisou, na semana passada, que trabalharia para que os “infiéis” perdessem os cargos. Auxiliares de Temer sabem que o PP não engrossará a campanha do pré-candidato do MDB, Henrique Meirelles, mas não querem ver o aliado aderindo ao rival.

Ciro chamou Temer, recentemente, de “quadrilheiro” e “ladrão”. Disse ainda que ele será preso. O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), defende o aval ao pré-candidato do PDT, posição compartilhada por Maia e pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SP), que dirige o Solidariedade. Uma parte do DEM, porém, quer fechar acordo com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) e o PRB negocia aliança com o tucano. “Estamos pondo as divergências à mesa para ver como conseguimos construir as convergências”, disse o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), ex-ministro da Educação de Temer.

Balança

Na prática, o apoio do Centrão é visto como fiel da balança na disputa ao Planalto. Se todos os partidos estiverem juntos, a avaliação do próprio governo é de que o grupo pode desequilibrar o jogo em favor de um candidato. É por esse motivo que o Planalto age para evitar que o PP fique com Ciro.

O dote eleitoral oferecido pelo bloco é de, no mínimo, 4 minutos e 12 segundos por dia no horário eleitoral de rádio e TV, que começa em 31 de agosto. Somente as quatro legendas – DEM, PP, Solidariedade e PRB – reúnem 124 deputados e têm palanques importantes, principalmente no Nordeste e no Sudeste. Embora o maior partido do grupo seja o PP, a força do DEM pode ser medida pelo comando da Câmara, zona de influência que a sigla quer manter na próxima legislatura.

Às vésperas das convenções para oficializar os candidatos, esta quarta-feira foi marcado por muitas negociações de bastidores. Após o encontro do Centrão, por exemplo, Alckmin foi ao Congresso e se reuniu a portas fechadas com Ciro Nogueira. Pediu apoio, mas não obteve resposta. Presidente do PSDB, o tucano oferece a vice na chapa para quem fizer dobradinha com ele. “Queremos estar juntos para ganhar a eleição e também para governar”, disse Alckmin.

Na outra ponta, Valdemar Costa Neto se encontrou com o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), e com o ex-ministro Jaques Wagner, que solicitaram a chancela do PR ao nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado na Lava Jato.

O PR está propenso a se unir ao deputado Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas em um cenário sem Lula. Na reunião desta quarta com o Centrão, porém, Costa Neto acenou com a possibilidade de indicar o empresário Josué Gomes (PR) como vice na chapa de um candidato avalizado pelo Centrão, se as negociações com Bolsonaro e o PT não prosperarem. Josué é filho do ex-vice-presidente José Alencar, morto em 2011.

O presidente do PRB, Marcos Pereira, deixou o encontro criticando os colegas. “A bancada do PRB está cansada de ser usada. Os partidos maiores querem usar o tempo do partido e a estrutura, mas não há reciprocidade. Todo mundo se fortalece e a gente continua na mesma”, atacou Pereira, que é ex-ministro do governo Temer.

Em público, ele defendeu o apoio ao pré-candidato do PRB, Flávio Rocha, embora nos bastidores o partido queira emplacar o empresário como vice em alguma chapa. “A reciprocidade que falta é o espaço devido pelo que representamos”, afirmou o líder do PRB na Câmara, Celso Russomanno (SP). “A gente não está pedindo ministério A, B ou C, mas o espaço que temos (no governo Michel Temer) é pouco.”

Fonte: DN

Deixe um Comentário

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.

Veja também

Fortaleza registra 20,8ºC na manhã desta sexta, a menor temperatura dos últimos três meses

Fortaleza registra 20,8ºC na manhã desta sexta, a