POSTOS REGISTRAM FALTAM DE VACINAS DE ROTINA EM FORTALEZA CE

POSTOS REGISTRAM FALTAM DE VACINAS DE ROTINA EM FORTALEZA CE

- em Geral
48

Postos registram falta de vacinas de rotina
Em pelo menos duas unidades, doses contra poliomielite, sarampo e meningite não foram encontradas

01:00 · 08.08.2018
Image-0-Artigo-2436880-1
A Secretaria Municipal de Saúde informou que a falta é pontual, mas pessoas ouvidas pela reportagem relataram atrasos de até um mês. ( Foto: Fabiane de Paula )
Para muitas doenças, sejam causadas por vírus ou por bactérias, as vacinas são as únicas ou mais eficazes formas de prevenção. Quando o assunto são bebês de até seis meses, então, a necessidade de os responsáveis seguirem o calendário de vacinação é ainda mais determinante – mas, em alguns casos, esbarra na falta de imunizações básicas. Ontem, em pelo menos dois postos de saúde de Fortaleza, situado nos bairros Jacarecanga e Pirambu, faltavam doses de vacinas básicas, como poliomielite e sarampo, em pleno período de campanha nacional; e mais duas das obrigatórias para os bebês: pneumocócica e pentavalente.

A dona de casa Cláudia Gomes, 30, elegeu como primeira atividade do dia levar os dois sobrinhos e um primo pequeno, de dois e três anos de idade, para imunizá-los contra pólio e sarampo, atenta à campanha nacional iniciada na última segunda-feira (6) – no posto de saúde Virgílio Távora, porém, deu viagem perdida. “Fui lá porque é perto de casa, mas não tinha nem as vacinas da campanha. Não deram previsão de quando ia chegar, ainda bem que a gente tem transporte próprio e trouxe eles. Imagino quem não pode vir, né? E é muito importante prevenir”, avalia, enquanto aguardava para entrar na sala de vacinação do posto de saúde Carlos Ribeiro, no bairro Jacarecanga.

Nesta unidade de saúde, a dona de casa Rosiane Ferreira, 36, também estava em segunda viagem: e não seria a última. Após a segunda tentativa de obter as vacinas pneumocócica, poliomielite inativada (VIP) e pentavalente, que constam no calendário de vacinação para crianças de dois, quatro e seis meses; para a pequena Maria Isabel, de 8 meses, Rosiane saiu do posto Carlos Ribeiro novamente sem sucesso. “Era pra ela ter tomado todas no dia 25 de junho, já tem mais de um mês de atraso. Daqui a pouco eu vou precisar pagar, porque não dá pra deixar ela desprotegida”, reclama.

Uma técnica da unidade de saúde, que preferiu não ser identificada, confirmou que a falta de doses sempre ocorre, “por causa da grande demanda”, já que o posto é um polo que concentra público de vários bairros da Regional I – inclusive dos moradores do entorno do posto Virgílio Távora, onde na manhã de ontem, segundo dia da campanha nacional, faltavam doses das principais vacinas, contra pólio e sarampo. A técnica de enfermagem Francineuma da Silva, 49, foi um das que saíram do posto sem ter sido vacinada.

“Eu trouxe a minha filha de 4 anos pra tomar a da paralisia infantil e ia aproveitar pra tomar a do sarampo, mas o jeito é voltar amanhã”, lamenta. De acordo com uma funcionária do setor de imunizações da unidade, as faltas acontecem no intervalo entre o envio do mapa de vacinas (que contém a estimativa de doses necessárias para o mês) e o recebimento das doses pela Secretaria Regional, “o que leva de três a quatro dias”. Apesar disso, ela revelou que “em abril, a pneumocócica chegou a faltar por dois meses”.

Operacional

Conforme a coordenadora de Imunizações da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), Ana Vilma Leite, o fluxo entre a produção das vacinas nos laboratórios do Brasil ou internacionais e a aplicação das doses na população passa por diversas instâncias – mas quando chega a Fortaleza, por exemplo, cidade que possui Central de Armazenamento própria, a responsabilidade de abastecer os postos de saúde em todos os bairros é da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

Segundo Ana Vilma, “a grande questão para ausência de doses em postos é operacional”, já que “o Ceará não está com problema de falta de vacina”. “Se houver, é uma falta momentânea, porque os postos não podem acondicionar a vacina de todo o mês naquela geladeira. Eles recebem um quantitativo X, para que possam dar vazão, e quando o estoque está finalizando, devem ligar para a Secretaria Executiva Regional pedindo reposição”. Apesar disso, Ana Vilma Leite reconhece que alguns repasses do Ministério da Saúde ao Estado foram reduzidos. “Tem meses em que chega menos, realmente, como a da meningite C. Mas é um problema nacional, e não deixamos de receber, só não recebemos a quantidade completa”, explica.

Outra imunização cuja distribuição pela Pasta nacional aos estados diminuiu, gerando déficit sobretudo em cidades do Interior, foi a pentavalente (contra difteria, tétano, coqueluche, meningite B e poliomielite), com primeira dose prevista no calendário para bebês de dois meses. Segundo a gestora da Sesa, porém, “a meta foi integralmente repassada aos municípios cearenses, no mês passado, e será enviada em dobro neste mês, para evitar qualquer falta”. O problema, conforme ela aponta, “foi a diminuição da produção” e, consequentemente, de repasse nacional.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que a distribuição das vacinas segue “um planejamento estratégico conforme população e capacidade de armazenamento das unidades”. A SMS disse ainda que a campanha tem gerando uma procura maior pela vacina o que pode gerar um desabastecimento pontual, que é regularizado com a distribuição de novas doses.

Fonte: DN

Deixe um Comentário

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.

Veja também

Mais de um milhão de desabrigados por inundações no sul da Índia

Mais de um milhão de desabrigados por inundações